Ode Parnasiana – Raimundo Correia
Raimundo Correia De cípreo mosto cheia A taça ergui. Cogitabunda Musa, Fuge os pesares. Eia! Desta alma a flama viva afla, e enaltece-a! Insufla-me o…
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Raimundo Correia De cípreo mosto cheia A taça ergui. Cogitabunda Musa, Fuge os pesares. Eia! Desta alma a flama viva afla, e enaltece-a! Insufla-me o…
Raimundo Correia —”O coração da infância”, eu lhe dizia, “É manso.” E ele me disse:—”Essas estradas, Quando, novo Eliseu, as percorria, As crianças lançavam-me pedradas…”…
Raimundo Correia A boca, às vezes, o louvor escapa E o pranto aos olhos; mas louvor e pranto Mentem: tapa o louvor a inveja, enquanto…
Raimundo Correia Dizei-me: é ela a noiva casta e pura, Que no alvor dessa nuvem rutilante, Passa agora? Dizei-me, nesse instante, Turbilhões de translúcida brancura;…
Raimundo Correia Doire a Poesia a escura realidade E a mim a encubra! Um visionário ardente Quis vê-la nua um dia; e, ousadamente, Do áureo…
Raimundo Correia Enquanto a chuva cai, grossa e torrencial, Lá fora; e enquanto, ó bela! A lufada glacial Tamborila a bater nos vidros da janela;…
Raimundo Correia Dentro, na esconsa mesa onde fervia Fulvo enxame de moscas sussurrantes Num raio escasso e tremulo do dia Espanejando as azas faiscantes. Vi-o;…
Raimundo Correia Raiava, ao longe, em fogo a lua nova, Lembras-te?… apenas reluzia a medo, Na escuridão crepuscular da alcova O diamante que ardia-te no…
Raimundo Correia Ó Marília! Ó Dirceu! Eram dois ninhos Os vossos corações, ninhos de flores; Mas, entre os quais, sentíeis os rigores Lacerantes de incógnitos…