Num bosque que dos Ninfas se habitava (1595)

Sonetos de Luís Vaz de Camões

Num bosque que das Ninfas se habitava

Sílvia, Ninfa linda, andava um dia;

subida nüa árvore sombria,

as amarelas flores apanhava.

Cupido, que ali sempre costumava

a vir passar a sesta à sombra fria,

num ramo o arco e setas que trazia,

antes que adormecesse, pendurava.

A Ninfa, como idóneo tempo vira

para tamanha empresa, não dilata,

mas com as armas foge ao Moço esquivo.

As setas traz nos olhos, com que tira:

—Ó pastores! fugi, que a todos mata,

senão a mim, que de matar me vivo

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

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